Sinopse: Christine "Lady Bird" MacPherson está no último ano da escola e se sente deslocada. Ela quer aventura, sofisticação e oportunidades, mas não encontra nada disso em sua escola na pequena cidade de Sacramento. O filme acompanha sua jornada no último ano e suas descobertas da juventude.
Indicações do Oscar: 5.
- Melhor filme
- Melhor atriz (Saoirse Ronan)
- Melhor atriz coadjuvante (Laurie Metcalf)
- Melhor roteiro original
- Melhor direção (Greta Gerwig)
Jornada. Acho que é a primeira palavra que me vem a mente quando penso em Lady Bird. Escrevo essa postagem algumas horas depois de ter assistido ao filme, com algumas opiniões e emoções ainda sendo absorvidas.
A
história é simples, é um daqueles filmes que quando você tenta indicar à
alguém é difícil arranjar todas as palavras pra que de fato se consiga
descrever o filme e do que ele trata. É um filme cheio de camadas, e pra
assisti-lo eu te aconselho: veja com calma, preste atenção, os detalhes
fazem tão parte do filme como o resto.
Lady Bird
é uma adolescente, Christine, que como a maioria dos adolescentes
possui algum motivo para se rebelar e se revoltar por algo, no caso
dela, é sobre a sua vida como um todo. Lady Bird precisa enfrentar o
último ano de escola em uma escola católica, aonde conhece outros
personagens secundários, mas que acabam, de alguma maneira, também
pincelando como principais.
A
primeira coisa a dizer sobre esse filme é que ele é essencialmente
feminino. Os personagens, questões e diálogos femininos tem o papel de
destaque na trama. A relação mais importante do filme é entre mãe e
filha. A segunda de destaque é a amizade entre duas meninas (Julie e Lady Bird). Os papéis de autoridade são femininos, a iniciar pela freira que dirige a escola, a mulher que orienta Lady Bird
quanto a suas possibilidades com a faculdade. Prestando bem atenção,
pouco espaço foi dado aos homens nesse filme, mesmo quando estão
diretamente ligados a Christine, como os rapazes com quem se relaciona.
Me fez pensar se o período histórico e cultural em que estamos, aonde a luta pelo feminismo
recebe cada vez mais destaque entre as redes sociais e as mulheres,
talvez tenha influenciado o filme e talvez, ainda, influenciado o
"burburinho" que ronda o filme. Sem dúvida é completamente diferente ver
um filme em que as mulheres ocupam a maioria dos
espaços e aonde a voz delas é maior do que quaisquer outras, ainda causa
um estranhamento, quando somos tão acostumados com filmes que mostram
apenas o lado dos homens e em que as mulheres quase não ocupam espaço
algum. O que me lembra de filmes como O poderoso chefão, que são
incríveis, mas me faz pensar: nós não temos estranhamento algum quando
as vozes e questões de importância e os personagens de destaque são
somente masculinos, mas há ainda um incômodo quando a situação é inversa
e as mulheres tomam o lugar de voz.
Acho que há dois pontos que posso salientar como os mais interessantes do filme:
1. O amadurecimento da personagem
- Nós começamos o filme acompanhando a trajetória de Christine, já
sendo apresentados ao "nome que ela deu a si mesma" (como ela descreve):
Lady Bird. Entendo isso como uma tentativa de se
distanciar, tentando criar ou captar um mundo só seu e vendo como
solução pra isso se distanciar do que tem, mesmo que seja seu nome.
Começamos vendo a personagem com diversos questionamentos da
adolescência, assim como uma ansiedade enorme por uma vida que ela
idealiza, em uma universidade longe da cidade em que mora, Sacramento e
longe do que conhece.
Nesse ponto temos uma cena muito interessante, aonde a diretora da escola conversa com Lady Bird sobre a redação que escreveu para tentar entrar na universidade e nessa redação fala sobre Sacramento. A diretora fala que é muito bonito o quanto ela ama Sacramento e ela responde que "apenas estava descrevendo a cidade, que apenas presta atenção" e então a diretora diz algo como "Mas não é disso que se trata o amor? Prestar atenção?"
2. A relação entre mãe e filha
- Christine tem um ideal de vida e busca insistentemente por ele.
Inclusive mentindo sobre algumas coisas. Enquanto a sua mãe, envolvida
pela realidade da família, com o marido prestes a perder o emprego e
dobrando plantões para dar conta da casa, acaba cortando as ideias
sonhadoras de Christine com doses de realidade e algumas vezes até um
pouco de amargor. Mas o principal sobre essa relação é o quanto ela é
visceral, o quanto é realista. Apesar da diferença de personalidade das
duas, dos desentendimentos, se mantendo, de forma ou outra, unidas. Há
uma cena que ilustra bastante a relação das duas que é quando buscam um
vestido pra Christine e quando estão numa loja, discutem ferrenhamente
até que se deparam com o "vestido perfeito" e então toda a discussão é
deixada de lado.
Há
inúmeras outras questões abordadas no filme, desde a virgindade e as
questões que rodeiam isso, até amizade, relacionamentos e até mesmo
depressão.
!!! Alguns detalhes que eu não poderia deixar passar:
1.
O filme mostra algumas atitudes erradas da Lady Bird que não têm a devida
importância, como uma cena em que ela faz um comentário racista e outra
em que comete um "delito", mas nada acontece a personagem. Fiquei
esperando que fossem retornar a esses fatos e mostrar algum
arrependimento por parte da personagem, o que não aconteceu, deixando as
questões como se fossem apenas "coisas triviais de adolescente" sabe? O
que eu discordo plenamente.
2. O filme não é, de nenhuma forma, representativo.
E quando eu digo isso, quero dizer que a adolescência e a vivência
dessa transição entre esse período e a vida adulta não vai, na maior
parte dos casos, acontecer como exemplificado no filme, então, a pequena
faixa de pessoas realmente representadas no filme (mulheres brancas de
classe média nos EUA) é, de fato, muito pequena, até mesmo se destoarmos
apenas um pouco para: mulheres negras de classe média nos EUA, com
certeza veremos grande diferença. O que eu quero dizer é: apesar de um
filme com uma ótica feminista, não é um filme que traz representações
importantes de outras classes/raças/lutas.


Adorei seu post! Não vi esse filme ainda, mas fiquei curiosa, principalmente pela presença feminina no filme. Enquanto lia o post fiquei pensando, realmente estranhamos quando vemos muitas mulheres em posições de poder, não deveria ser assim, mas estamos muito acostumados, infelizmente.
ResponderExcluirBeijoos
Yanna Karim